Amor? Mas, afinal, por que deveria? O que você foi pra mim? Não senti seu toque nem seu perfume. O que ocorreu foi que vi seu sorriso por dois imperceptíveis segundos e isso quase me matou. O que ocorreu foi que ouvi sua voz muito menos do que o planejado. Sendo assim, por que deveria?
Por que deveria dar-lhe exclusividade sendo que há mais de um ano não sou prioridade alguma pra você? Será porque mesmo nunca tendo-o nunca deixei de lhe querer? Será porque apesar do seu silêncio ensurdecedor nunca deixei de lhe esperar? Talvez seja.
Talvez seja pela profundeza do seu olhar que não me fitou, pela energia da sua boca que não me calou. Talvez seja pelo seu abraço que nunca chegou. E talvez seja, acima de tudo, pela impossibilidade absoluta de um dia poder chamá-lo meu. O mais estranho é que me conformo, aceito seus defeitos e sua ternura de palavras amanhecidas. Aceito sem cobranças ou exigências, apenas aceito.
Venha quando quiser, quando puder. Eu vou vivendo, mas estou sempre pronto pra você.